A minha casa não ficava muito longe da casa do Bill e do Tom, por isso não tive de caminhar muito. Assim que lá cheguei, perdi todas as minhas forças e comecei a relembrar-me do momento em que a minha casa estava a arder. Agora a minha casa mais parecia um amontoado de cinzas e não uma casa. Sentei-me no chão e comecei a chorar, como é que iria ser a minha vida daqui para a frente? Estive um bom tempo a chorar e quando parei tive uma ideia. “Já sei, eu vou à polícia e pergunto-lhes se eles sabem o que se passou e se na realidade os meus pais estão mesmo mortos” pensei para mim mesma. Levantei-me do chão e comecei a caminhar para o quartel mais próximo, que ficava apenas a alguns quarteirões de onde eu estava. Quando lá cheguei estavam dois polícias junto de um balcão e eu fui falar com eles.
“Bom dia! Será que me poderiam ajudar?” perguntei-lhes
“Bom dia! Sim, o que se passa?” disse um dos polícias enquanto o outro estava ocupado com o computador
“Eu moro a uns quarteirões daqui e a minha casa ardeu na noite passada e os meus pais estavam lá, eu não sei o que aconteceu porque não estava em casa e agora não sei o que fazer. Os meus pais estão mesmo mortos?” disse a tentar conter as lágrimas
“E como te chamas?”
“Katie Russel”
“E os teus pais?”
“Helen e Brian Russel”
“Eu vou tentar saber de algo e já falo contigo está bem?”
“Ok, obrigado!”
Esperei algum tempo sentada numa cadeira a observar o que ele fazia. Falava ao telefone e depois falava com o colega e quando desligou o telefone foi para o computador e depois foi telefonar mais uma vez e quando acabou veio ter comigo.
“Katie?”
“Sim..”
“Lamento informar-te mas os teus pais faleceram… Ainda tentaram prestar-lhes os primeiros socorros mas já era tarde demais.” Eu comecei a chorar “Já chamei uma assistente social e ela vai tomar conta de ti…”
“Uma assistente social?” Quer dizer que me vão por num orfanato é?”
“Primeiro vão verificar se tens algum familiar que possa cuidar de ti e se não tiveres pois a única solução é ires para um orfanato, lá irão cuidar de ti!”
“NÃO! Eu não vou para um orfanato!” gritei e comecei a correr sem olhar para trás até chegar ao parque perto da minha casa.
Sentei-me num banco e fiquei lá a chorar e a relembrar os meus pais até que começou a ficar de noite e eu estava a começar a ficar com fome e com frio. “Ligo para o Bill” “Não ligo”, estes pensamentos não me saíam da cabeça, não sabia se haveria de ligar para o Bill a pedir-lhe ajuda ou se haveria de passar a noite naquele parque, sozinha e ao frio.
Bill’s P.O.V
“Onde é que será que ela está? Será que ela está bem?” perguntou o Bill ao Tom
“Não sei Bill, mas eu também estou um pouco preocupado com ela. Ela não está nada bem e pode fazer alguma loucura…” disse o Tom
“Pois mas nós não fazemos a mínima ideia de onde ela está…” disse o Bill triste
“Mas eu aposto que ela ainda vai voltar!”
“Achas?”
“Acho!” disse o Tom confiante
“Sabes… quando fui acompanha-la à porta eu dei-lhe o meu número de telemóvel e disse-lhe para ela me ligar caso precisasse de nós.”
“Sério? Então ela deve ligar… Acho que ela gostou de ti!” disse o Tom com um sorriso maroto
“O quê? Tás parvo? Ela nem me conhece!” disse o Bill todo corado
“E aposto que tu também gostaste dela…”
“Cala-te!” disse o Bill dando uma chapada no braço do Tom
“Auch! Para que é que foi isso? É verdade!” disse o Tom a rir-se
Assim que o Tom parou de rir o telemóvel do Bill começou a tocar.
“Quem é?” perguntou o Tom
“Não sei!”
“Então atende, pode ser ela!”
“Ok!” disse e depois atendeu o telemóvel
“Estou?” perguntou o Bill
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